domingo, 19 de agosto de 2012

O UIRAPURU






Já escutei músicas que falam desse pássaro maravilhoso que ao cantar a floresta silencia... 

Ansiosa por saber mais sobre esse pássaro que faz parte da cultura popular brasileira fiz uma pesquisa no Google. Para minha sorte encontrei no Youtube uma gravação do seu canto[1] e também uma reportagem feita pela rede Globo de televisão[2] onde os repórteres foram até a floresta amazônica a sua busca.

O Uirapuru é um pássaro de penas 12 centímetros, de plumas cor vermelho telha que quando canta a floresta silencia.   
A lenda do Uirapuru é a lenda de um pássaro especial, pois dizem que ele é mágico, quem o encontra pode ter um desejo realizado.
O Uirapuru é um símbolo de felicidade.

Seu canto é semelhante a notas de uma flauta. Ele habita o sub-bosque da floresta, conhecida como a mata mais baixa. Vive caçando insetos nas áreas sombreadas e úmidas.
Ele é rápido, não para de cantar e procura se esconder.
Diz a lenda que quem houve o canto desse pássaro tem felicidade para o resto da vida. Segundo o repórter, ao escutar o pássaro, a sensação que teve foi de paz, harmonia e equilíbrio. Ele disse que é tão belo o canto que ficou arrepiado.
Também eu ao escutar o canto, mesmo vindo de uma gravação reproduzida no microfone do computador, senti paz... O canto realmente lembra as notas de uma flauta, mas é recarregado de magia. As estrofes são variadas e o Uirapuru que foi filmado pelos repórteres, apresentou quatro cantos diferentes.
O repórter disse que esse pássaro é chamado de músico da mata e que conta a lenda que quando ele canta todos os outros pássaros silenciam. Curiosamente naquele dia, enquanto os repórteres faziam a filmagem desse pequeno pássaro e a gravação de seu cantar, não se ouviu na floresta nenhum outro canto de pássaro.

Fiquei sabendo de duas lendas sobre ele:

Em uma tribo da floresta amazônica, havia duas índias apaixonadas pelo mesmo cacique.
O cacique gostava das duas índias e para solucionar o problema ele propôs um torneio de arco e flecha: A índia que atirasse a flecha mais distante possível se casaria com ele e a que perdesse iria embora para bem longe da aldeia.
Quando a disputa terminou, a índia que perdeu a prova foi-se embora e ao ficar longe começou a chorar. Chorou tanto que suas lágrimas formaram um ribeirão.
O deus Tupã, ao ver o sofrimento da índia a transformou em um pássaro, para que ela pudesse visitar o amado sem prejudicar o casamento dele.
E assim foi: a índia transformada em pássaro foi visitar o amado, mas ao chegar na aldeia percebeu que ele estava muito feliz com a esposa. Diante disso decidiu voltar para a floresta e morar entre suas flores. Nunca mais voltaria à aldeia para ver seu amado.
Para compensá-la pelo amor não correspondido, Tupã lhe deu um canto tão lindo que faz as outras aves silenciarem para que todos ouçam a bela melodia e os apaixonados possam sonhar. 

Já a segunda lenda não diz respeito a duas índias que se apaixonam pelo mesmo cacique, mas a de um índio que se apaixona pela mulher do cacique. Vejamos:

         Um jovem índio guerreiro apaixonou-se pela esposa de um cacique. Esta também se namorara dele, porém, era um amor proibido. 
O Jovem guerreiro sofria muito, pois amava, era correspondido, mas ambos não podiam viver esse amor, pois poderiam ser mortos se alguém da tribo descobrisse. 
Com o tempo a bela esposa do cacique, foi esquecendo seu amor pelo jovem guerreiro.
Porém, esse sofria toda vez que a via. 
Um dia o jovem índio amanheceu muito doente, com uma forte febre. Ninguém, nem o pajé sabiam o que ele tinha. O jovem índio sentia que estava doente de amor. 
Não aguentando mais tanto sofrimento, pediu ao deus Tupã, que o transformasse em um pássaro, assim poderia ficar bem perto da amada sem oferecer perigo para os dois. 
Tupã transformou-o em um pássaro vermelho telha, que possuía um magnifico canto. O jovem guerreiro, agora transformado em pássaro, cantava todas as noites para a amada. 

Porém, quem notou o seu belo canto foi o cacique, que tentando aprisioná-lo numa gaiola, correu para capturá-lo e acabou perdendo-se na floresta.
Ao Uirapuru restou o sonho de que a sua amada um dia descobrisse que ele era o jovem guerreiro e assim quebrasse o encanto para que voltasse a ser humano. 

       O Uirapuru é considerado um pássaro que traz boa sorte, um ser mágico. Quem o encontra pode fazer um pedido que se tornará realidade. 
Os nativos da floresta relatam que quando o Uirapuru canta, toda a floresta fica em silêncio rendendo-lhe homenagem.

domingo, 8 de julho de 2012

Em busca de uma boa leitura?
Bem, encontrei esse endereço no Google. Trata-se de um livro que tem interessado há muitas pessoas da área de Ciências Humanas:

"O Mestre Ignorante" de Jacques Rancière

http://www.moodle.ufba.br/file.php/10061/O_mestre_ignorante/O_mestre_ignorante-livro.pdf

Tenham todos uma boa leitura!

Regina

segunda-feira, 2 de julho de 2012



Festa De São Pedro Internacional no Recoleta Hostel Buenos Aires – Argentina

(Por Regina Maria Oliveira de Macedo)




No mês de junho de 2012, mais precisamente na época das festas juninas, um grupo de professores do Estado da Bahia viajou para Buenos Aires, Argentina para mais uma vez participarem das aulas de mestrado em educação iniciadas em janeiro desse mesmo ano.

Dessa vez era inverno e o frio argentino para eles, acostumados a uma temperatura mínima de 20 graus,  era imenso. Mesmo no início do curso quando a mais baixa foi 18 graus.
Além do frio e da saudade de casa, todos estavam um pouco chateados por terem perdido a festa de São João.
São João é a maior festa junina comemorada em todas as regiões do Brasil, mas na Região Nordeste, de onde vinham esses professores, essa festa ganha uma grande expressão.
 Para os Nordestinos o mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer pelas chuvas, mesmo que raras na região, que servem ou serviram para manter a agricultura.
É uma época de  festas muito alegre onde acontecem tanto festas em praças públicas das cidades como também nas fazendas. Nas fazendas então, ganham uma beleza única: os terreiros são enfeitados com bandeirolas, fogueiras são acesas, há salões improvisados nos celeiros ou telheiros, decoração com flores de papel e também manacá e até mesmo a cana de açúcar e pés de milho servem para enfeitar o arraial.
Mesas são arrumadas com fartura de comidas e bebidas, há músicos ou execução de músicas por discos juninos em cd player ou em toca discos de vinil que resistiram ao tempo. Também há fogos...  Muitos fogos e folguedos, e danças (Forró) e quadrilhas. As pessoas se visitam e muitos namoros se iniciam nessa ocasião.
Bem, situando vocês leitores nesse evento,  voltemos ao nosso grupo de professores tristonhos porque naquele ano não puderam participar de nenhuma dessas festas. Em grupos comentavam a saudade e a alegria do São João. Foi aí que Professora Cristina deu um basta naquela tristeza dizendo:
─ Sabem de uma coisa, vamos comemorar o São Pedro!
Todos ficaram animados. A princípio se pensou em cada um dar uma quantia em dinheiro e o grupo de professores que estava na “habitación” 110 providenciaria a compra dos gêneros e materiais indispensáveis à festa.
E assim foi iniciada a organização dessa comemoração. Cristina, Adriana, se informaram sobre onde podiam comprar amendoim, milho, aipim, leite de coco, leite condensado e outras iguarias e gêneros necessários.
─” Vocês encontram essas coisas no Bairro Chinês. Lá tem o Supermercado Chinês que vende tudo”. Disse a camareira do Albergue onde o grupo estava hospedado.
Ficaram todos os trabalhadores do albergue curiosos em saber o que era a festa de São Pedro.
Professora Cristina deu as explicações necessárias com seus olhos brilhantes. Sua animação aumentava a cada lembrança da festa durante a explicação. Daquele momento em diante o projeto da festa só aumentou.  O gerente do hotel ficou curioso e diante da alegria de todos também foi contagiado e deu o consentimento para a festa. A única imposição foi que a festa seria fechada e só poderiam participar da festa o grupo de professores que estava hospedado no hotel e também os outros hospedes. Afinal era norma do albergue não permitir a permanência de pessoas que não fossem hospedes em suas dependências. Essa medida era para garantir o conforto de todos e a segurança.
Permissão dada Professora Cristina e Professora Adriana convidaram Professor Miguel e Profª.Regina e juntos foram até o Bairro Chinês.
Foi a maior decepção: o amendoim seco e caro. Não havia lá a maioria dos ingredientes e até mesmo o leite de coco era quatro vezes o valor do Brasil. O grupo teve receio de desagradar a todos com o valor alto que seria apresentado. E um deles, aconselhou o cancelamento da festa.
Professora Cristina protestou:
─ “Ah, não. Eu não comemorei Santo Antônio e nem São João,  estou morrendo de frio nessa terra diferente da minha, com saudade de casa, vou comemorar sim”!
─ “Mas tudo está tão caro. Você não acha mais prudente cancelar”? ─ Perguntou Profª. Adriana  com um ar e tom de aconselhamento.
─ Não. Sabe como agente faz? Como todo mundo quando faz uma festa na escola. Cada um leva uma coisa. As festas juninas são da amizade, são de compartilhamento. Quem quiser compartilhar o fará com alegria no coração.
Ali mesmo fez-se um levantamento rápido dos gêneros que já tinham e todos concordaram.
A ida ao Bairro Chinês virou uma aventura de exploração. O grupo caminhava, observava a cidade, as pessoas e seus corações estavam felizes:  iriam comemorar o São Pedro.
Os outros professores não estavam acreditando na festa. À véspera da data combinada, o grupo iniciou a organização.
No intervalo do almoço Profª Marleide providenciou os papéis de seda coloridos, cola, tesoura, barbante, papel cartão amarelo e marrom, gliter coloridos e papel crepom. Foi o início da animação dos outros colegas.
À noite, todos reunidos na cozinha e no refeitório do Albergue, as conversas estavam voltadas para a organização da festa. Profª. Cristina iniciou a preparação das carnes; Profª. Ilka, Profª.  Marleide, Profª Jeane, Profª. Jussaíra e Profª Regina se envolveram com a construção de Bandeirolas, de flores de papel e, de coroas e faixas para o Rei do Amendoim e a Rainha do Milho. Profª Adriana se juntou ao grupo e começou a produzir as pétalas das flores de papel e também flores para enfeitar os cabelos de quem quisesse.  Com mais uma para ajudar na confecção da decoração, Profª. Regina foi em direção ao balcão da cozinha para iniciar a preparação do bolo. Bateu à mão mesmo, pois nesse albergue não tinha batedeira de bolos.
O Bolo preparado com farinha de trigo e flocos de milho para cuscuz, ovos manteiga, açúcar e fermento. Professora Adriana lembrou dos grãos de Erva –doce. Profª Cristina disse que tinha esse chá no quarto e após a mistura de todos os ingredientes , foi colocado a assar.
Quando o cheiro do bolo invadiu o espaço, a gota d’água para a animação caiu. Começou um entra e sai de jovens professores e professoras, estudantes e todos os brasileiros hospedados,  se envolveram no processo. Outros hospedes de outros países latinos também se aproximaram e acabaram por se interessar em saber como era a festa, sua origem, o tipo de música e as danças. Professora Cristina dava as explicações e também exemplificava com as danças e músicas cantadas por seus colegas. O espírito junino invadiu o lugar e a arquitetura de casarão antigo contribuiu para que todos se sentissem como se estivessem em uma fazenda preparando a festa de São João. Só que não era São João e sim São Pedro.
No dia seguinte a animação continuou a partir do café da manhã. Todos foram para a faculdade e no intervalo para o almoço Profº. Miguel, Profª. Delma e Profº. Daniel além de comprarem novas iguarias juninas, ajudaram a orientar outros hospedes na busca de alimentos para a festa: Laranjas, bolos, licores... A animação foi crescendo cada vez mais.
O preparo dos alimentos voltou a acontecer nesse intervalo e foi preciso lembrar a Profª. Cristina que ela precisava retornar à faculdade, pois empolgada na preparação quase que ficava na cozinha.
Dentre os hospedes apareceu um ator: Profº. João, que se propôs apresentar Calhamberto. Uma sátira do cantor brasileiro Roberto Carlos. Num instante apareceu um amplificador, e microfone.
Os preparos continuaram à tarde e avançou até o início da noite. Profª. Cristina, Profª Adriana, Profº. Miguel e Profª Regina ficaram encarregados da cozinha e os outros, tendo à frente Profª. Ilka, Profª. Marleide, Profª. Jussaíra, Profª Jane e Profª. Delma cuidaram de terminar a decoração do salão e arrumação das mesas para as comidas. Profª. Ilka com sua criatividade fez toalhas de mesa lindas com papel de seda cortados em forma de bandeirolas.  Os Professores Daniel, Miguel, João, Hugo contribuíram com o reposicionamento dos móveis e com a instalação do som que o Filósofo Lucas havia providenciado.
Tudo ficou muito lindo e aconchegante. A comida foi farta e gostosa. O cheiro do Brasil tomou conta do lugar.
Depois de tudo arrumado todos trataram de ir para seus quartos se arrumarem para a festa e, embora ninguém houvesse pensado em roupas juninas, todos vestiram roupas coloridas e ao som das músicas juninas executadas no cd player foram chegando para o salão e dançando.
Para abrir a festa oficialmente, Profª. Cristina anunciou a chegada do Rei do Amendoim e da Rainha do Milho (Profº. Miguel e Profª. Jeane) que desceram as escadas do Hostel Recoleta sob os calorosos aplausos dos presentes.


 Após o aplauso aos monarcas ela mesma comandou a quadrilha e até um hospede com Paralisia Cerebral teve sua cadeira de rodas empurrada por Profª. Adriana e dançou quadrilha também.


Após a quadrilha foi anunciado o show de Calhamberto. Profº. João adentrou ao salão caracterizado de Roberto Carlos e iniciou seu discurso de abertura. Em seguida, usando as músicas de Roberto Carlos, introduziu seu número satírico. Todos sorriram muito. O Rei do Amendoim e a Rainha do Milho se posicionaram ladeando Calhamberto e fizeram uma coreografia ao som de suas canções. A alegria foi geral.

Todos comeram com fartura e elogiaram muito a comida. Beberam vinho quente, Quentão, licores e refrigerantes, mas com moderação. A festa rolou quase a noite inteira e iria até o amanhecer se no dia seguinte não tivessem todos que ir para a faculdade.

 E para tudo registrar, Profª. Regina tirou fotos e filmou o movimento. Profº Daniel publicou fotos que tirou na internet e  ficou de publicar os filmes e fotos feitos por Profª. Regina também, mas parece que a resolução da câmara não facilitou o trabalho (Uma pena).




No final todos limparam o salão. Ao amanhecer tudo estava em ordem.
Acho que  São Pedro nunca esquecerá dessa alegria. E com certeza, quando Professora Cristina ficar bem velhinha e for ao encontro do criador, ao bater à porta do céu ele a receberá com um grande abraço que guardou por muitos anos em seu coração à sua espera.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

A HISTÓRIA DE UM FOGARÉU
(Regina Maria Oliveira de Macedo)

Na época das festas Juninas é comum os donos de fazendas organizarem festejos para celebrar e agradecer a boa colheita. A maior delas é a Festa de São João. 


E foi assim que Dona Vitória e Seu Carlinhos prepararam uma festa de São João como poucos já viram no sertão.

Para essa festa Dona Vitória preparou muitas comidas gostosas: Canjica, cural, milho cozido, pamonha, arroz doce, bolo de aipim, bolo de puba, bolo de milho, amendoim cozido, amendoim torrado e até uma quantidade de carne foi bem temperado para ser assada na fogueira para encerrar a festa.

O terreiro foi enfeitado no capricho com as bandeirolas nas cores da sorte: branca, azul, verde, vermelho e amarelo. Todas presas na cordinha nessa ordem porque elas também contavam a história da plantação: O branco simbolizando o ar, o vento que espalha as sementes na terra. O azul que simboliza a água que molha a terra e ajuda a semente germinar, o verde que representa a plantação viçosa, resultado do ar e da chuva sobre a terra adubada, o vermelho que representa o calor do sol que ajuda a fabricação do alimento da planta e a amadurecer o fruto e o amarelo que representa o fruto maduro.

Além das bandeirolas bem colocadas, havia uma fogueira, bem grande, e bem bonita com a árvore de brindes colocada lá no meio dos toros de madeira arrumados formando uma torre... Seria uma festa como poucas que ainda havia no sertão. Todo mundo estava alegre e esperando a hora dela começar.

Seu Carlinhos convidou todos os moradores da região, mas nesse dia também compareceu Walter Queiroz que era amigo do dono do trio nordestino que iria tocar naquela noite.

 Dona Vitória e as mulheres da fazenda arrumaram a mesa, enfeitaram o salão com flores de manacá para perfumar o ambiente, balões e luminárias coloridas. Tinha de tudo até flores feitas de papel crepom com uma sorte para quem escolhesse uma.

As visitas iam chegando, recebiam refrigerantes ou licor. Passavam na mesa e se serviam do petisco que quisessem... Até das laranjas enfeitadas com olhinhos, bocas e laços de fitas coloridos. Tudo perfeito.

Seu Carlinhos estava que era uma alegria só. Chamou Samuel e pediu:
─ Acende a fogueira, Samuel! Vamos aquecer esse terreiro que o salão já está animado!

─ É prá já, Seu Carlinhos!

E disparou para pegar as cascas de coco que tinha guardado e preparado para aquele momento, pois acender a fogueira com cascas de coco era bem mais garantido.

Quando a labareda lambeu os troncos da fogueira, Seu Carlinhos mandou o trio tocar:
─ Vamos lá, tocador! A fogueira já está queimando. Alegra esse salão!
E o Trio começou sua canção:

A fogueira ta queimando em[1] 
homenagem a São João.
O forró já começou vamo gente
rapá pé nesse salão. (2x)
Dança Joaquim com Isabé, Luís
com Inhanha, dança Janjão com
Raqué e eu com Sinhá, traz a
cachaça Mané eu quero vê, quero vâ paiá voar. (2x)










Walter Queiroz saiu do salão e foi se sentar na espreguiçadeira de lona que estava na varanda, para apreciar o fogo da fogueira. Já estava um fogaréu, bonito e gostoso de se olhar...

No salão o baile seguia animado... E na animação o povo foi se apaixonando e o cancioneiro lembrou-se de tocar uma moda para os enamorados:

Olha pro céu, meu amor [2]
Vê como ele está lindo 
Olha praquele balão multicor 
Como no céu vai sumindo 

Foi numa noite, igual a esta 
Que tu me deste o coração 
O céu estava, assim em festa 
Pois era noite de São João 

Havia balões no ar 
Xote, baião no salão 
E no terreiro 
O teu olhar, que incendiou 
Meu coração! 




Ritinha, uma cabrocha linda que estava na festa, quando escutou na música a frase "Havia balões no ar..." se lembrou do perigo dos balões. Saiu da festa muito preocupada. Caminhou em direção da cerca, apanhou um capim, e ficou cismada olhando o céu, cheia de preocupação. 


Ela sabia que se um balão caísse na roça, o fogo ia tomar conta do mato seco e aí, adeus plantação. Ritinha esqueceu da festa e lá ficou, mastigando os talos das flores do capim bem na parte docinha (talos onde ficavam as sementes), cismada olhando o céu. Tinha que ficar de olho se não havia balão no ar.

Cecéu estava apaixonado por Ritinha. Quando viu ela sair, foi atrás. Chamava a cabrocha, mas ela nem escutou. Continuava cismada olhando o céu. Ela nem mesmo o viu. Foi aí que Ceceu teve a ideia de tocar uma valsa para ela. De mansinho, pegou a sanfona e começou a cantar:

Ah! seria bom
Se eu pudesse contigo casar
Ah! seria bom
A minha vida ia modificar
Ah! seria bom
Mas não posso, sempre esperarei
Ah! O mundo é mal
E insiste em nos separar

Carinhos só pra você
Carinhos só para mim
A nossa vida seria
Um paraíso sem fim
Vivendo para o amor  
Sem nunca ter que chorar
Ah! Seria bom
Se eu pudesse contigo casar

Ah! Seria bom
Se eu pudesse contigo casar
Ah! Seria bom
A minha vida ia modificar...








Com aquela valsa tão melancólica, aquele friozinho junino... Walter Queiroz foi adormecendo, adormecendo e dormiu.

Quando acordou o baile já havia terminado e a criançada estava ao pé da fogueira na maior algazarra torcendo para a árvore dos presentes cair. Todos gritavam “Lá vem ela!”


A árvore dos presentes balançava à medida que os toros eram queimados e se mexiam entre as labaredas da fogueira. A qualquer momento iria despencar e todos avançariam para pegar um dos brindes que lá estavam pendurados.
Walter acordou assustado com o barulho lembrou do que tinha visto entre Ritinha e Ceceu e sorrindo, falou:
Mas não é que essa história dá uma moda!
E aí ele começou a cantar uma música que todo mundo conhece e que o cantor Bel Marques da banda "Chiclete com Banana" canta tão bem:

Olha o fogo[3]
Olha o fogaréu
Queimando as pontas
Da palha do meu chapéu

Cade Ritinha que não vê Ceceu?
Ta de capim na boca
Cismada olhando o céu

E de mansinho a sanfona ele pegou
Cantando me ninou
E de mansinho a sanfona ele pegou
Cantando me ninou

No São João do Carneirinho meu amor 







Foi uma grande festa de São João aquela. E nenhum balão passou por ali. Balão? Só para enfeitar o salão da festa, nada de deixar-lo voar por aí.



Feliz São João, Pessoal!

Observação: Esta é uma história fictícia. Quando escolhi a letra dessa música de Walter Queiroz para trabalhar rima com meus alunos, achei que para haver uma melhor compreensão do que a música tratava era preciso uma história. Quando escutei a música fogaréu, lembrei de como eram as festas juninas de quando era criança e depois de quando era adolescente. Com essa história trabalhei a cultura das festas juninas das cidades do recôncavo baiano e também do interior.

Foi ótimo! As crianças ficaram bastante atentas.



[1] São João na Roça – Luiz Gonzaga.
[2] Olha pro Céu – Luiz Gonzaga
[3] Música Fogaréu de Walter Queiroz; 

sábado, 2 de junho de 2012

Esses dias estive muito ocupada com planejamentos, relatórios e pesquisas e não fiz nenhuma postagem. Tenho algumas idéias que ainda não concluí, mas para dar minha contribuição com o bem estar da humanidade, deixo a vocês o endereço abaixo:

Amei o artigo "Aprendamos com os passarinhos da minha varanda". E vocês vão gostar muito dos outros artigos publicados nesse Blogger.

Boa leitura colegas.

Um grande abraço,

Regina Maria