quinta-feira, 23 de agosto de 2018


O QUE É FOLCLORE
(Por Regina Maria Oliveira de Macedo)

A palavra folclore é de origem inglesa e seu significado é: conhecimento popular ou conhecimento do povo.
São conhecimentos que são passados de pai para filho e vão se espalhando por toda uma população.
Há muitos anos atrás, nem todas as pessoas sabiam ler e escrever, mas isso não significava que essas pessoas não eram inteligentes, o que acontecia era que elas não tinham oportunidade de irem a uma escola. Mas elas aprendiam a ler as coisas do mundo. Sabiam que as crianças precisavam aprender a se protegerem dos perigos e uma forma que encontraram de fazer isto foi trazendo para o mundo da criança as histórias que vivenciaram colocando um pouco de fantasia ao contar para as crianças nos momentos em que não estavam no trabalho.
Também aprenderam a criar cantigas que de certa forma também ensinavam as crianças: Terezinha de Jesus, pai Francisco entrou na roda, o cravo brigou com a rosa, etc.
Também a literatura de cordel escrita e impressa de modo artesanal em papéis coloridos e pendurados em cordas para atrair a clientela. Esses escritores cantam tocando violão ou pandeiro e as vezes mais de um instrumento musical, toda a história escrita. as pessoas são atraídas pelas canções e compram os livrinhos impressos para levarem para casa e contarem as histórias nos momentos de descanso.
Tem as danças nascidas para mascarar lutas, ou nascidas do movimento dos pescadores (puxada de redes), do movimento das colheitas (a bata do feijão), do movimento das conquistas, do enamoramento, etc.
Também tem os chás. Eles observavam os efeitos de determinadas plantas nos animais e passavam a fazer chás para curar as pessoas dos desajustes de saúde.
Tem as rezas nascidas da fé do povo, principalmente dos ensinamentos de Jesus que dizia que todos podiam fazer curas desde que tivessem fé em deus.
E assim temos essa cultura muito rica que encanta a todos que têm a oportunidade de conhecê-la



Festa De São Pedro Internacional no Recoleta Hostel Buenos Aires – Argentina

(Por Regina Maria Oliveira de Macedo)

No mês de junho de 2012, mais precisamente na época das festas juninas, um grupo de professores do Estado da Bahia viajou para Buenos Aires, Argentina para mais uma vez participarem das aulas de mestrado em educação iniciadas em janeiro desse mesmo ano.
Dessa vez era inverno e o frio argentino para eles, acostumados a uma temperatura mínima de 20 graus,  era imenso. Mesmo no início do curso quando a mais baixa foi 18 graus.
Além do frio e da saudade de casa, todos estavam um pouco chateados por terem perdido a festa de São João.
São João é a maior festa junina comemorada em todas as regiões do Brasil, mas na Região Nordeste, de onde vinham esses professores, essa festa ganha uma grande expressão.
 Para os Nordestinos o mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer pelas chuvas, mesmo que raras na região, que servem ou serviram para manter a agricultura.
É uma época de  festas muito alegre onde acontecem tanto festas em praças públicas das cidades como também nas fazendas. Nas fazendas então, ganham uma beleza única: os terreiros são enfeitados com bandeirolas, fogueiras são acesas, há salões improvisados nos celeiros ou telheiros, decoração com flores de papel e também manacá e até mesmo a cana de açúcar e pés de milho servem para enfeitar o arraial.
Mesas são arrumadas com fartura de comidas e bebidas, há músicos ou execução de músicas por discos juninos em cd player ou em toca discos de vinil que resistiram ao tempo. Também há fogos...  Muitos fogos e folguedos, e danças (Forró) e quadrilhas. As pessoas se visitam e muitos namoros se iniciam nessa ocasião.
Bem, situando vocês leitores nesse evento,  voltemos ao nosso grupo de professores tristonhos porque naquele ano não puderam participar de nenhuma dessas festas. Em grupos comentavam a saudade e a alegria do São João. Foi aí que Professora Cristina deu um basta naquela tristeza dizendo:
Sabem de uma coisa, vamos comemorar o São Pedro!
Todos ficaram animados. A princípio se pensou em cada um dar uma quantia em dinheiro e o grupo de professores que estava na “habitación” 110 providenciaria a compra dos gêneros e materiais indispensáveis à festa.
E assim foi iniciada a organização dessa comemoração. Cristina, Adriana, se informaram sobre onde podiam comprar amendoim, milho, aipim, leite de coco, leite condensado e outras iguarias e gêneros necessários.
─” Vocês encontram essas coisas no Bairro Chinês. Lá tem o Supermercado Chinês que vende tudo”. Disse a camareira do Albergue onde o grupo estava hospedado.
Ficaram todos os trabalhadores do albergue curiosos em saber o que era a festa de São Pedro.
Professora Cristina deu as explicações necessárias com seus olhos brilhantes. Sua animação aumentava a cada lembrança da festa durante a explicação. Daquele momento em diante o projeto da festa só aumentou.  O gerente do hotel ficou curioso e diante da alegria de todos também foi contagiado e deu o consentimento para a festa. A única imposição foi que a festa seria fechada e só poderiam participar da festa o grupo de professores que estava hospedado no hotel e também os outros hospedes. Afinal era norma do albergue não permitir a permanência de pessoas que não fossem hospedes em suas dependências. Essa medida era para garantir o conforto de todos e a segurança.
Permissão dada Professora Cristina e Professora Adriana convidaram Professor Miguel e Profª.Regina e juntos foram até o Bairro Chinês.
Foi a maior decepção: o amendoim seco e caro. Não havia lá a maioria dos ingredientes e até mesmo o leite de coco era quatro vezes o valor do Brasil. O grupo teve receio de desagradar a todos com o valor alto que seria apresentado. E um deles, aconselhou o cancelamento da festa.
Professora Cristina protestou:
“Ah, não. Eu não comemorei Santo Antônio e nem São João,  estou morrendo de frio nessa terra diferente da minha, com saudade de casa, vou comemorar sim”!
“Mas tudo está tão caro. Você não acha mais prudente cancelar”? Perguntou Profª. Adriana  com um ar e tom de aconselhamento.
Não. Sabe como agente faz? Como todo mundo quando faz uma festa na escola. Cada um leva uma coisa. As festas juninas são da amizade, são de compartilhamento. Quem quiser compartilhar o fará com alegria no coração.
Ali mesmo fez-se um levantamento rápido dos gêneros que já tinham e todos concordaram.
A ida ao Bairro Chinês virou uma aventura de exploração. O grupo caminhava, observava a cidade, as pessoas e seus corações estavam felizes:  iriam comemorar o São Pedro.
Os outros professores não estavam acreditando na festa. À véspera da data combinada, o grupo iniciou a organização.
No intervalo do almoço Profª Marleide providenciou os papéis de seda coloridos, cola, tesoura, barbante, papel cartão amarelo e marrom, gliter coloridos e papel crepom. Foi o início da animação dos outros colegas.
À noite, todos reunidos na cozinha e no refeitório do Albergue, as conversas estavam voltadas para a organização da festa. Profª. Cristina iniciou a preparação das carnes; Profª. Ilka, Profª.  Marleide, Profª Jeane e Profª Regina se envolveram com a construção de Bandeirolas, de flores de papel e, de coroas e faixas para o Rei do Amendoim e a Rainha do Milho. Profª Adriana se juntou ao grupo e Profª. Regina foi em direção ao balcão da cozinha para iniciar a preparação do bolo. Bateu à mão mesmo, pois nesse albergue não tinha batedeira de bolos.
O Bolo preparado com farinha de trigo e floco de milho para cuscuz, ovos manteiga, açúcar e fermento. Professora Adriana lembrou dos grãos de Erva –doce. Profª Cristina disse que tinha esse chá no quarto e após a mistura de todos os ingredientes , foi colocado a assar.
Quando o cheiro do bolo invadiu o espaço, a gota d’água para a animação caiu. Começou um entra e sai de jovens professores e professoras, estudantes e todos os brasileiros hospedados,  se envolveram no processo . Outros hospedes de outros países latinos também se aproximaram e acabaram por se interessar em saber como era a festa, sua origem, o tipo de música e as danças. Professora Cristina dava as explicações e também exemplificava com as danças e músicas cantadas por seus colegas. O espírito junino invadiu o lugar e a arquitetura de casarão antigo contribuiu para que todos se sentissem como se estivessem em uma fazenda preparando a festa de São João. Só que não era São João e sim São Pedro.
No dia seguinte a animação continuou a partir do café da manhã. Todos foram para a faculdade e no intervalo para o almoço Profº. Miguel arranjou amendoim e ajudou a orientar outros hospedes a adquirir iguarias para a festa: Laranja, bolos, licores e a animação foi crescendo cada vez mais.
O preparo dos alimentos voltou a acontecer nesse intervalo e foi preciso lembrar a Profª. Cristina que ela precisava retornar à faculdade, pois empolgada na preparação quase que ficava na cozinha.
Dentre os hospedes apareceu um ator: Profº. João, que se propôs apresentar Calhamberto. Uma sátira do cantor brasileiro Roberto Carlos. Num instante apareceu um amplificador, e microfone.
Os preparos continuaram à tarde e avançou até o início da noite. Profª. Cristina, Profª Adriana, Profº. Miguel e Profª Regina ficaram encarregados da cozinha e os outros, tendo à frente Profª. Ilka, Profª. Marleide, Profª. Juciara, Profª Jane e Profª. Delma cuidaram de terminar a decoração do salão e arrumação das mesas para as comidas. Profª. Ilka com sua criatividade fez toalhas de mesa lindas com papel de seda cortados em forma de bandeirolas. Tudo ficou muito lindo e aconchegante. A comida foi farta e gostosa. O cheiro do Brasil tomou conta do lugar.
Depois de tudo arrumado todos trataram de ir para seus quartos se arrumarem para a festa e, embora ninguém houvesse pensado em roupas juninas, todos vestiram roupas coloridas e ao som das músicas juninas executadas no cd player foram chegando para o salão e dançando.
Para abrir a festa oficialmente, Profª. Cristina anunciou a chegada do Rei do Amendoim e da Rainha do Milho (Profº. Miguel e Profª. Jane) que desceram as escadas do Hostel Recoleta sob os calorosos aplausos dos presentes. Após o aplauso aos monarcas ela mesma comandou a quadrilha e até um hospede com Paralisia Cerebral teve sua cadeira de rodas empurrada por Profª. Adriana e dançou quadrilha também.
Após a quadrilha foi anunciado o show de Calhamberto. Profº. João adentrou ao salão caracterizado de Roberto Carlos e iniciou seu discurso de abertura. Em seguida, usando as músicas de Roberto Carlos, introduziu seu número satírico. Todos sorriram muito. O Rei do Amendoim e a Rainha do Milho se posicionaram ladeando Calhamberto e fizeram uma coreografia ao som de suas canções. A alegria foi geral.
Todos comeram com fartura e elogiaram muito a comida. Beberam vinho quente, Quentão, licores e refrigerantes, mas com moderação. A festa rolou quase a noite inteira e iria até o amanhecer se no dia seguinte não tivessem todos que ir para a faculdade.
 E para tudo registrar, Profª. Regina tirou fotos e filmou o movimento. Profº Daniel publicou fotos que tirou na internet e  ficou de publicar os filmes e fotos feitos por Profª. Regina também.
No final todos limparam o salão. Ao amanhecer tudo estava em ordem.
Acho que  São Pedro nunca esquecerá dessa alegria. E com certeza, quando Professora Cristina ficar bem velhinha e for ao encontro do criador, ao bater à porta do céu ele a receberá com um grande abraço que guardou por muitos anos em seu coração à sua espera.




A Lenda da Encarnação do Boi Bumbá
(Por Regina Maria Oliveira de Macedo)

Há muito tempo atrás, na época da escravidão, em uma fazenda na Região do Rio São Francisco, havia um fazendeiro muito poderoso que tinha um boi vindo do Egito do qual gostava muito. Ele batizou o boi com o nome de Bubar.
Nessa fazenda havia um casal de escravos conhecido por todos como Pai Francisco e Mãe Catrina. Os dois eram muito queridos por todos, pois sempre estavam ajudando com suas rezas e remédios naturais todos que viviam na fazenda do Senhor João.
Aconteceu que Mãe Catrina ficou grávida. Pai Francisco estava muito contente com a notícia de que ia ter um filho sangue de seu sangue, mas aí aconteceu algo que é comum nas mulheres grávidas: O tal do desejo.
O desejo acontece sempre que o bebê necessita de uma determinada substância para seu desenvolvimento e então o organismo da mãe faz com que sinta o desejo de comer o alimento que tem a substância que o bebê precisa. Daí o desejo o dizer que se a mulher grávida não for atendida em seu desejo o bebê nasce fraco.
Pois é, Mãe Catrina teve desejo de comer língua de boi... Embora morasse em uma fazenda que tinha muitos bois, nenhum era deles. É certo que sempre o Senhor João mandava matar um boi, mas isso não ia acontecer tão cedo por ali, pois Seu João fazia tempos que estava na cidade com a mulher e os filhos e não apareciam na fazenda.  
Mãe Catrina sofria com o desejo e Pai Francisco sofria junto com ela...
Uma noite Mãe Catrina estava à janela apreciando a imensidão da fazenda sob a luz da lua, quando passou perto da sua casa justamente o Boi que tinha vindo do Egito. Era um boi gordo, grande, bonito que só ele. Mãe Catrina não tirava os olhos do Boi. Pai Francisco ficou penalizado de ver o olhar comprido e cheio de desejos da mulher. Não se aguentou; afinal era seu filho que estava pra chegar ao mundo e ele tinha que vim em paz e com saúde. Matou o boi sem nem prestar atenção que era o boi predileto do patrão. Cozinhou a língua, deu para a mulher que comeu com toda satisfação. Quando Catrina terminou de comer, Pai Francisco pegou o boi, tirou o couro, tirou a carne e repartiu com os outros escravos.
Um dos escravos ficou sem a carne pois não estava na fazenda naquele dia. Quando soube da partilha ficou  chateado e cheio de despeito...
O tempo passou; ninguém mais falava do acontecido. Até que um dia o Senhor João voltou à fazenda. Estava doido para vê seu boi. Como já era noite, combinou com os vaqueiros que no dia seguinte, logo cedo eles iriam reunir o gado para a contagem e pesagem do gado.
Os vaqueiros avisaram Pai Francisco da chegada do patrão e da intensão de reunir o gado para contagem e pesagem. Contou que o patrão estava doido para vê o boi.
Pai Francisco chamou mãe Catrina e combinaram de fugir.
Na manhã seguinte, como tinha sido combinado, os vaqueiros reuniu o gado. O patrão chegou para a contagem e logo de imediato sentiu a falta do seu boi predileto.
− Cadê o Egípcio? – Perguntou o patrão com ar preocupado.
− Que Egípcio, Patrão – Perguntou o vaqueiro desconfiado.
− Que egípcio? Como assim que Egípcio? O boi Bumbar, homem! Cadê o Boi Bumbar?
O vaqueiro respondeu de pronto:
− Sei não patrão. Tem tempo que ele tá sumido.
Acontece que o outro vaqueiro que estava na contagem era justo aquele que não tinha recebido o pedaço de carne do boi. Nesse momento ele sentiu que seria vingado...
− Sumiu não, patrão; ele foi roubado! Ah, isso foi mesmo... Foi roubado e morto por Pai Francisco, aquele desgramado!
O patrão se revoltou. Aos berros correu para a cabana de Pai Francisco e Mãe Catrina que a essas horas já tinham fugido, logo depois que soube da chegada do patrão e da sua intensão de ver o boi.
O Patrão correu ao quintal da casa e encontrou lá na armação o couro do boi, o chifre, o esqueleto e o rabo. Começou a chorar. Inconsolável e enlouquecido de tristeza reuniu o que restou do boi, levou para seu terreiro, cobriu com o couro pediu ajuda aos outros curandeiros da região, aos padres a todos que mexiam com as forças da natureza e com Deus, para que fizessem seu boi viver novamente. Chorando dizia:
− Quero meu boi Bumbar de volta... Quero o Bumbar vivoooo...
E o tempo passou... Não havia um dia que o patrão não chorasse pelo seu boi... A notícia começou a correr o mundo e chegou até a cidade onde Mãe Catrina e Pai Francisco foram morar. A essa altura o filho dos dois já havia nascido e já estava bem grandinho. Na verdade já era um rapaz muito especial:
O Filho de Mãe Catrina e Pai Francisco tinha o dom de mexer com as forças da natureza e curar pessoas e animais.

Ele tinha ido à venda comprar farinha quando escutou a história do fazendeiro que chorava, há muito tempo, a morte do Boi.
Quando escutou a história do fazendeiro que chorava por causa de seu boi, quis ir até a fazenda. Ao chegar a casa contou o caso para os pais e disse das suas intensões.
Mãe Catrina e Pai Francisco ficaram com receio e contou ao filho o que tinha acontecido quando ele estava dentro da barriga da mãe. Pai Francisco e mãe Catrina disseram que estavam arrependidos, mas temiam pela vida dele.
O rapaz bateu pé firme:
− Agora que sei disso, mais do que nunca temos que voltar para a fazenda.
− Mas, meu filho ele não irá nos perdoar... Disse Mãe Catrina temerosa.
− Isso agente só vai saber quando chegar lá. E já está mais do que na hora de agente voltar. O viajante contou que inté hoje o homem tem a carcaça do boi no terreiro e fica lá sentado na varanda da casa chorando...
Pai Francisco e Mãe Catrina ficaram penalizados com a notícia. De imediato concordaram com o filho e os três voltaram para a fazenda.
O patrão estava bem diferente de quando Pai Francisco e Mãe Catrina moravam lá. Estava magro, pálido e ainda chorando a morte do boi. Ele nem teve forças para brigar com o casal.
O rapaz olhou em volta e viu no meio do terreiro o couro do boi sobre a carcaça e o rabo balançando ao vento, tal qual o viajante descreveu. Aproximou-se do que restou do animal, pegou o rabo, olhou dentro, levou-o à boca e soprou três vezes. A cada sopro o couro se juntava à carcaça... No terceiro o boi encarnou novamente e saiu pulando e chifrando o que encontrava pela frente, todo assustado.
Quando o patrão viu seu boi vivinho de novo, ficou numa alagria tão grande que o sangue voltou a colorir suas bochechas. Todo mundo que morava na fazenda estava lá para ver o que ia acontecer. Viram o patrão feliz e ficaram felizes também e bem rápido ficaram prontos para cumprir com satisfação e ligeireza, qualquer ordem que o o patrão desse. E a ordem foi aos gritos de alegria: 
− O Egípcio está vivo! Boi Bumbá viveu de novo! Glória a Deus! Vamos fazer uma festa gente! Chamem os tocadores! Chamem os repentistas! Chamem as cozinheiras! Vamos comemorar!
E sorrindo muito, o fazendeiro remoçou, remoçou em todos os aspectos na alma e no corpo. Perdoou Pai Francisco e Mãe Catrina que voltaram a viver na fazenda junto com o filho curandeiro.
Naquele dia uma grande festa na fazenda encheu a redondeza de alegria e a partir daquela data, todos os anos se comemoravam a festa do Boi Bumbar.




quarta-feira, 26 de julho de 2017

A CIGARRA E A BOA FORMIGA

Por Regina Maria Oliveira de Macedo

Certa vez junto a um formigueiro, apareceu uma cigarra cantora. Durante todo o verão ela ficou a tocar  violão e a cantar lindas canções.

Enquanto cantava, as formigas passavam todo o dia carregando folhas, pequenas sementes, pedaços de doces e de açúcar, pequenos pedaços de carne, flores pequeninas para encherem as tulhas abastecendo o formigueiro, pois o inverno era longo e muito frio.

O trabalho das formigas era árduo, mas elas sabiam que não podiam parar, pois quando o inverno chegasse não poderiam mais sair do formigueiro para providenciar comida.

Enquanto cantava a cigarra não se lembrou de construir uma casa e tão pouco se lembrou de guardou alguma comida para quando o inverno chegasse. Para ela era fácil comer uma folhinha que estava ao seu alcance na árvore onde subiu para cantar afinando a voz e apreciar o trabalho das formigas.

O tempo passou e o inverno chegou. No campo da cidade onde moravam a cigarra e a formiga o inverno era muito frio. Tão frio que caia gelo do céu. Todas as plantas perdiam suas folhas, suas flores e seus frutos e adormeciam até a primavera voltar. Elas deixavam expostas apenas os galhos nus para que a luz do sol ajudasse na nutrição que iriam precisar para trazerem de volta as folhas e as flores que se transformariam em frutos com sementes que pudessem ser espalhadas e fazerem aparecer novas árvores.

A cigarra não encontrava mais nenhuma folhinha para comer. Todas as plantas e toda a terra da cidade estavam cobertas de gelo duro e frio e ela não tinha forças para quebrar o gelo e pegar alguma folha seca que ficara sobre a terra.

Resultado, sem a casa que precisara ter sido construída, sem o alimento que precisara ter sido guardado, a cigarra ficou com fome e com muito frio. Vagava pela terra sem rumo e foi ficando cada dia mais fraquinha e adoeceu.

Tossia muito e, cambaleante, chegou à porta do formigueiro e bateu à porta. Foram suas últimas forças.

A formiga porteira escutou suas batidas fraquinhas e abriu a porta. Viu a cigarra caída e se aproximou.

¾ O que você está fazendo aqui? ¾ Perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir caída à porta.

A cigarra respondeu entre uma tosse e outra:

¾ Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...

A formiga olhou a cigarra de alto a baixo e perguntou:

¾ E o que você fez durante o verão?

¾ Bem, eu era cantora. Cantava o tempo todo para afinar minha voz.

¾ Ah! ¾ Exclamou a formiga se lembrando. ¾ Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas com alimentos para o inverno?

¾ Sim, era eu. ¾ Respondeu um pouco escabreada, a cigarra.

¾ Então entre, amiguinha! Nunca podemos esquecer-nos das belas canções que nos animava a trabalhar e esquecer o cansaço do trabalho árduo. Dizíamos sempre: que felicidade termos como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga! Aqui você terá abrigo e alimento durante todo o inverno.

Mas a cigarra estava muito fraca para caminhar. Como a cigarra não aguentava se levantar do chão, a formiga chamou as amigas para ajudarem a carregar a cigarra para o formigueiro. Elas cuidaram bem dela. Logo, logo a cigarra ficou forte. Voltou a ser alegre. Apanhou seu violão e durante todo o inverno alegrou o formigueiro com suas músicas e canções.

Foi o melhor inverno que as formigas tiveram.

FIM

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

HISTÓRIAS DO BRASIL

Uma História de Independência: 
Do 07 de Setembro, Independência do Brasil 
ao 02 de Julho Independência do Brasil na Bahia
(Regina Maria Oliveira de Macedo)

Há muito tempo atrás, o Brasil pertencia a um país da Europa chamado Portugal. Nessa época os brasileiros não podiam fabricar as coisas que queriam e nem podiam comprar nada dos outros países.
O rei de Portugal obrigava os brasileiros a mandarem para ele toda nossa matéria prima: madeira, açúcar, ouro... enfim o que tivesse aqui de bom era mandado para Portugal e lá eles transformavam em produtos que embora eles tivessem recebido a matéria prima de graça, vendiam ao povo brasileiro pelo mesmo preço que vendiam a quem com nada contribuía.
Os povos brasileiros viviam infelizes. Suas vidas resumiam-se em trabalhar para o reino de Portugal.
Um dia o imperador Napoleão Bonaparte, da França Invadiu Portugal. O rei, D. João VI fugiu para o Brasil. Apanhou toda a riqueza de Portugal e veio para cá.
Quando chegaram ao Brasil ocuparam as casas dos brasileiros até quando seus castelos ficaram prontos.
Como não queriam ficar sem o conforto que tinham em Portugal, trataram de permitir que os brasileiros comprassem as coisas dos outros países, criou um Jardim Botânico, pois gostavam de frequentar bons jardins e para que os filhos dos nobres tivessem acesso à cultura foi criada a Biblioteca Nacional e a Imprensa Régia.
O rei D. João fez com que o Brasil deixasse de ser Colônia para ser Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Mas o que os brasileiros queriam mesmo era a independência. E eles tinham razão, pois quando Napoleão Bonaparte foi derrotado e preso pelos ingleses D. João VI resolveu voltar para Portugal.
Os brasileiros ficaram apreensivos, mas ele deixou seu filho D. Pedro I aqui no Brasil para continuar governando.
D. Pedro gostou de ser a principal autoridade no Brasil e não gostou nadinha de receber ordens do rei de Portugal que queria que os brasileiros voltassem à mesma vidinha sem graça de antes dele vir para o Brasil. D. Pedro queria comprar as coisas de que gostava e o rei queria que os brasileiros voltassem a só comprar os produtos que eram produzidos em Portugal para que esse país continuasse a receber muito dinheiro e viver e o seu povo vivessem tranquilamente como era antes de eles virem fugidos para o brasil.
Em janeiro de 1822, D. Pedro recebeu ordens de seu pai para que voltasse imediatamente para Portugal.
D. Pedro não queria voltar. Ele gostava de viver aqui e de ser respeitado como Rei. Mas o rei estava ordenando sua volta. O povo brasileiro se movimentou para que o Príncipe não retornasse a Portugal. Afinal, se isso acontecesse o Brasil voltaria a ser colônia e os brasileiros voltariam àquela vida miserável de antes da família real vir para o Brasil.
O povo foi para as ruas. Houve um abaixo assinado pedindo para o Príncipe não voltar. E como D. Pedro já não queria voltar mesmo (afinal lá em Portugal ele não teria a mesma posição que teria se ficasse no Brasil), mas mesmo assim ele ainda estava indeciso entre obedecer ao pai dele e alegrar ao povo brasileiro e a si mesmo.
No dia 09 de janeiro de 1822, ele recebeu das mãos do Partido Brasileiro um abaixo assinado com oito mil assinaturas. D. Pedro não coube em si de contente e, vendo o povo aglomerado em frente ao palácio, as assinaturas no abaixo assinado, ele não se conteve. Decidiu ficar. Levantou-se da mesa e disse:
— “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.
Esse dia ficou conhecido como “O Dia do Fico”.
A partir daí, D. Pedro "pulou de cima do muro" e se posicionou a favor da ruptura com Portugal.
Os portugueses que moravam aqui no Brasil e que não gostaram da decisão de D. Pedro foram reprimidos.
D. Pedro também determinou que nenhuma ordem que as Cortes lá em Portugal inventassem teria sentido aqui, a não ser que ele próprio assinasse o documento com um "Cumpra-se".
O rei de Portugal ficou furioso e mandou tropas para cá, que o imperador logo tratou de despachar de volta. Além disso, D. Pedro formou um novo ministério, que tinha brasileiros e portugueses, mas a chefia era de um brasileiro: José Bonifácio de Andrada e Silva.
Tratou de fazer a primeira Constituição do Brasil e organizar a Marinha de Guerra.
Um dia, quando D. Pedro estava fazendo uma viagem para São Paulo, ele estava às margens do Riacho Ipiranga dando água aos cavalos quando recebeu uma carta de José Bonifácio, outra de D. Leopoldina e outra do Rei de Portugal informando a ele que a Assembléia Constituinte estava anulada e exigia a volta imediata dele para a Portugal.
D. Pedro ficou indignado com a falta de respeito a sua pessoa e às suas decisões e ali mesmo, virou-se para os soldados que o acompanhavam  arrancou os laços com as cores da bandeira portuguesa que trazia no peito e ordenou:
― “Laços fora soldados! As cortes de Lisboa querem escravizar o Brasil; não permitirei” ― levantou a espada e gritou : ― “ Independência ou Morte !".
Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e a partir daquele dia o Brasil se tornou independente de Portugal e passou a caminhar com suas próprias pernas.

 Mas a história não acabou aí, não.

Os portugueses vieram para a Bahia onde se concentrou o principal foco de resistência à nova ordem do imperador.
Os Portugueses que tomavam conta dos interesses do rei de Portugal em Salvador decidiram não deixar o comando da província nas mãos de brasileiros. Decidiram que quem tinha de comandar era o general Inácio Luís Madeira de Mello. Mandaram o nome para Portugal e a nomeação veio de Lisboa[1].
O Governador das Armas, general Madeira de Mello, dispunha de consideráveis forças de terra e mar; contra esse poder levantaram-se os patriotas baianos. A reação, a princípio desarticulada e sem unidade, aos poucos organizou-se e alastrou-se por toda a província[2].
Dentro de alguns meses os portugueses estavam praticamente confinados a Salvador e seus arredores; embora possuindo a superioridade no mar[3].
A sorte da guerra dependia decisivamente do domínio da Baía de Todos os Santos e o consequente controle do abastecimento e das comunicações entre as vilas confederadas. Compreenderam os patriotas que pouco poderiam esperar dos sucessos do mar, se não contassem com forças ofensivas; nessa emergência surgiu a Flotilha Itaparicana, assim chamada pelos seus contemporâneos, que durante mais de sete meses trouxe desassossego e reveses aos lusitanos[4]
Foi escolhido para o seu comando o segundo-tenente da Armada Nacional e Imperial João Francisco de Oliveira Botas, que recebeu ordem de seguir logo para a base em Itaparica, onde deveria iniciar a "armação e arranjos" de "três barcos de borda falsa capazes de sofrer artilharia" e de mais um barco, doado pelo rico português Antônio Souza Lima, que aderira aos revoltosos[5].
Chegando em Itaparica em fins de novembro de 1822, João das Botas deu início a febril atividade. No dia 6 de dezembro era lançado ao mar o primeiro barco artilhado, denominado Pedro I. A flotilha foi aumentando ao longo da campanha, alcançando um efetivo de quase 800 homens[6].
Na Ilha de Itaparica os Portugueses invadiram a localidade de Gameleira e expulsaram os moradores que com medo foram refugiarem-se na mata.
Maria Felipa, uma crioula estabanada, alta e corpulenta, que usava torço e saia rodada[7] não gostou nadinha de perder sua casa para os portugueses. Ela ficou com muita raiva deles.
Não foi preciso nenhum disfarce para lutar pela independência de seu povo. Foi vestida de si mesma, armada de palavras duras, um exército de mulheres e galhos de cansanção que a lendária Maria Felipa enfrentou os portugueses no século XIX. Era um desaforo ignorar a resistência dos pescadores e marisqueiras da Ilha de Itaparica aos ataques de Madeira de Melo. A heroína negra, esquecida pela história oficial, fez jus à bravura das massas rebeladas[8]. Comandando um bando de mulheres, desceu para a Praia do Convento com as saias rodadas e as batas que deixam um pedaço do ombro de fora. Para os soldados que vigiavam as embarcações do general Madeira de Mello parecia que as raparigas estavam se oferecendo. De fato, elas se aproximaram daquele bando de portugueses como se fossem seduzi-los, mas ao ficarem perto o suficiente, desembainharam os galhos de cansanção que traziam escondidos, como se a planta irritante, que causa uma mistura infernal de dor e coceira, fosse a espada da justiça[9].

       O ataque inesperado, vindo de um bando de mulheres, tirou o sossego do acampamento inimigo. A surra com os galhos de cansanção deixou os marinheiros sem reação. Enquanto eles se contorciam no chão, esfregando a pele na areia para retirar a peçonha, as mulheres atiraram tochas nos barcos mais próximos. O saldo de tão engenhoso ataque foi de 42 embarcações queimadas, uma baixa significativa na frota reunida pelo general Madeira de Melo para atacar Itaparica. A intenção dele era usar a ilha como base de comando para dominar a Baía de Todos os Santos e assim conquistar Salvador[10].
Essa baixa na armada portuguesa enfraqueceu os planos de Madeira de Melo. Com isso, a flotilha itaparicana comandada por João das Botas pode auxiliar Lord Alexander Thomas Cochrane na expulsão dos Portugueses da Bahia, pois com parte da frota destruída faltou a Madeira de Melo condições de manter o bloqueio ao Porto de Salvador que passou às mãos dos brasileiros.
Desesperançado de qualquer reforço, lutando com dificuldades insuperáveis para abastecimentos, Madeira de Melo viu a flotilha itaparicana surgir da Ilha de Itaparica para garantir reforços[11].
Assim, no dia 2 de julho de 1823, resolveu abandonar o Brasil embarcando nos navios portugueses e seguir rumo à pátria. Essa fuga foi a primeira grande demonstração do valor da Marinha na independência do Brasil.




[1] Pesquisado junto ao site da FAPESP em 02 de setembro de 2007 no endereço http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=2755&bd=1&pg=3&lg=
[2] Pesquisado junto ao Site “Novo Milênio” em 02 de setembro de 2007 no endereço http://www.novomilenio.inf.br/festas/1822i.htm
[3] Idem à referência dois.
[4] Idem à referência dois.
[5] Idem à referência dois.
[6] Idem à referência dois.
[7] Osório, Ubaldo em A Ilha de Itaparica.
[8] Santana, Andréia: Saite  A Mulherada. Texto capturado em 02 de setembro de 2007, no endereço http://www.amulherada.org.br/mariafelipa.htm
[9] Idem à referência nove.
[10] Idem à referência nove.
[11] Texto capturado da internet em 02 de setembro de 2007. Endereço https://www.mar.mil.br/menu_h/historia/historia_naval/independ_04.htm .

sexta-feira, 15 de agosto de 2014



VIVENDO EXPERIÊNCIAS NA ARGENTINA

1.   INTRODUÇÃO

Bem, de volta a Argentina e prontos para mais 15 dias de aprendizado na Universidade del Salvador e com a linda e bela Buenos Aires.
Sim, linda e bela Buenos Aires... Desde a chegada a essa cidade ao contemplar a beleza de seus edifícios e a beleza de seus parques, ficou-se a perguntar: o que alguns argentinos vão fazer no Brasil? A cidade de Buenos Aires é uma cidade bem organizada de ruas limpas, praças bem cuidadas, e uma arquitetura de fazer sonhar com um tempo de música, amor, beleza e muito respeito. Além do mais o povo é prestativo e alegre.
Mas voltemos para o ponto que levou um grupo de brasileiros a participar de um curso de mestrado tão longe de casa...
No Brasil o acesso ao curso de mestrado é muito difícil. Muitos brasileiros se escrevem para fazê-lo, mas só aqueles que participaram de cursos como alunos ouvintes e que, de alguma forma conseguiram uma aproximação com os professores realmente conseguem romper as barreiras de acesso e adentrarem ao círculo dos mestrandos. Assim, de gastos em gastos investidos para conseguir acessar esse campo e conseguirem não apenas uma especialização mais aprofundada nos conhecimentos que já possuem e também a aquisição de novos conhecimentos, alguns brasileiros desistem.
Fazendo parte desse grupo que desiste, ou desistiu de tentar um mestrado no Brasil, mais especificamente no Estado da Bahia, foi que a oportunidade de conseguir o título de mestre na Argentina foi abraçada com todas as forças e sacrifícios pelo grupo.
Passado o primeiro encontro presencial com os mestres e doutores argentinos em janeiro, em junho estava de volta para o segundo encontro, ou seminário, com novos mestres e doutores.
Precisamente em 25 de junho do ano de 2013, às oito horas, teve início a aula de Epistemologia da Educação, com o Professor, Doutor Luís María Etchevery que de início levou todos a uma jornada de questionamentos sobre o significado da educação e o  para que da educação nessa sociedade.
Depois de minutos belos em que foi sentido o azeitamento de cérebros que pareciam haver esquecido de pensar sobre a profundidade de certos assuntos, outros questionamentos se fizeram ouvir e aconteceu o mergulhar silencioso em um mundo onde tudo existia à volta do ser, mas pouco se tinha olhado e experimentado desse tudo que aí estava.
Veio o intervalo do almoço e ao retornar do grupo o Professor-Doutor brinda a todos com o texto “Que Significa Pensar”.
Após o texto, calma e serenamente as ações e palavras do professor foram atiçando o grupo para pensar. Às vezes pareciam que vapores emergiam dos cérebros e se espalhavam no ar.
Se iniciou um novo posicionamento com relação à forma de encarar conceitos.

2.                 EXPERIÊNCIAS PROPOSTAS PARA CONHECER

Nesse dia mesmo o Professor-Doutor propôs o vivenciar de experiências e apresentou uma lista de situações e objetos (de estudo) para conhecer. Dentre elas e esses um(a) chamou atenção. Não porque fosse a primeira no topo da lista, mas por sua escrita lembrar outra palavra da língua portuguêsa-Brasil que tem um significado de Casa de prostituição; BORDEL; CABARÉ; LUPANAR; PROSTÍBULO.
Claro que na Argentina essa palavra não deveria significar “PUTEIRO”. Deveria significar outra coisa e o primeiro movimento foi questionar ao professor o que era.
Ingênuos brasileiros... Claro que o professor não iria responder, se não qual a graça da experiência? A partir daquele instante um turbilhão de questionamento tomou conta do espírito e aquela palavrinha abriu um misto de curiosidade, alegria, medo e desejo de investigar.
Primeiro caminho? Ora perguntar à internet. Ah, maravilhosa internet onde quase todas as perguntas encontram uma resposta... Lá estava: Puchero é um tipo de ensopado preparado na Argentina, Uruguai e Espanha, especificamente na região da Andaluzia e Ilhas Canárias”[1].
Como a vivência começou a partir das primeiras sensações iniciadas ao visualizar a palavra escrita, mais uma vez uma parada para examinar os sentimentos a partir do significado da palavra, em alguém que nunca havia escutado essa palavra antes, e que pensou em um significado misterioso, desconhecido e num significado possível conhecido e que agora tinha a revelação de um significado real, na relacionado a força de um puxar, ou a uma casa de prostituição.
Que sentimentos foram aflorados depois da descoberta do significado da palavra PUCHERO? Para responder a essa questão foi preciso parar e pensar no movimento do sangue no corpo, no movimento da respiração, no sentimento da aventura, no planejamento prévio de uma estratégia, nas proibições de uma educação severa, na disposição ao risco da aventura, no que acontecia naquele momento, naquele agora da descoberta da apresentação daquela representação prévia. Que se passa?
Um turbilhão de sentimentos ao mesmo tempo e de repente um sorriso... Um sorriso/ Não um gargalhar. A mente passa a se preocupar com outras coisas... A imaginação aflora para um prato com cheiros semelhantes aos do Brasil e daí surge a decisão de experimentar esse prato.
O corpo reage impulsionado pela alegria, pela curiosidade e pelo desejo de sentir o sabor. Mas como? Sem companhia de ninguém? Que graça teria? Que fazer enquanto esperar? Com quem comentar as sensações percebidas pelo paladar já instigado a funcionar pela idéia de saborear o desconhecido prato servido na Argentina? Não, uma experimentação assim tinha que ser em companhia de amigos; no mínimo com pessoas conhecidas que estivessem dispostas a fazer uma experiência dessa natureza e isso, lógico, seria bem fácil já que todos os matriculados no curso de mestrado na turma 02 da NOVVUS teriam de fazer a mesma experiência.



3.                 PLANEJANDO VIVENCIAR A EXPERIÊNCIA.

O primeiro grupo a ser pensado, claro seria o grupo de colegas com o qual já havia uma relação pré-estabelecida desde o Brasil e em seguida o grupo de colegas com o qual a amizade foi estreitada a partir do primeiro seminário que aconteceu em janeiro.
O grupo de colegas cuja relação tinha sido estabelecida no Brasil tinha compartilhado da experiência de pesquisa do significado da palavra e no momento do encontro foi logo de pronto respondendo à pergunta “Vocês já sabem o que é Puchero?”
— Já, já sabemos o que é Puchero; é um prato feito com grão de bico, carnes e verduras. — responderam um tanto quanto decepcionados com a descoberta.
— Sim, mas quando vamos experimentar? Será que tem algum lugar aqui que vende esse prato?
A esse questionamento várias hipóteses foram levantadas e a que mais teve significado é que o prato deveria ser típico e sendo típico em algum lugar deveria ser servido. E assim foi iniciada uma nova investigação: “Onde é possível comer Puchero em Buenos Aires”?
A primeira ideia foi perguntar aos recepcionistas do hotel onde o grupo estava hospedado, mas para surpresa eles não sabiam onde e também não sabiam do prato. Talvez pelo fato de ninguém do grupo dominar a língua e ter dado uma entonação errada na pronúncia da palavra.
Uma nova manhã se iniciava e no momento do café da manhã a inquietação sobre o prato de nome tão estranho fazia com que se questionasse a todos sobre se sabiam o que era e se sabiam onde comer. Graças a essa curiosidade e revelação do interesse em conhecer, a senhora encarregada em servir o café da manhã ao ser questionada pelo grupo revelou saber o que era e deu ao grupo a dica de onde era possível encontrar um restaurante que servisse esse prato.
Novas esperanças alimentaram o coração e no caminho da faculdade, junto com o grupo de colegas ao qual o primeiro grupo tinha um bom relacionamento começaram os planos para a ida ao restaurante e finalmente saborear o prato. Foi com muita alegria que o convite foi feito:
— E então? Vamos comer Puchero hoje após a aula? — Perguntou Regina aos colegas.
— Vamos sim. A que horas agente se encontra? — Delma respondeu com os olhos brilhantes pela novidade.
— Que tal às sete horas no salão do hotel?
— Está ótimo para mim — disse Miguel.
— Então está fechado. Às sete horas todo mundo pronto no salão do hotel. — Finalizou Adriana.
Uma parada nesse momento para pensar nos sentimento e sensações que invadiram a mente nesse instante. O coração batendo mais rápido, os músculos do rosto contraindo-se num sorriso e a vontade de brincar com os colegas, de falar o nome do prato o tempo todo e convidar mais amigos para dividir o momento com mais pessoas. Além disso, durante o caminho brincávamos com o efeito da nossa respiração no ar frio que envolvia o grupo.
Que manhã deliciosa, alegre e excitante, apesar do frio, foi aquela! Parecia que o calor de um prato ainda desconhecido envolvia o grupo que caminhava rápido, conversando alto e comentando vários assuntos ao mesmo tempo misturando-os tal qual os ingredientes do prato que tanta curiosidade e alegria trazia a todos como a energiza-lo, tal qual o sol.
Na faculdade o grupo relatou sobre o propósito de ir experimentar o Puchero. As colegas do município de Amargosa indicaram um restaurante e falaram um pouco sobre o prato, mas os grupos pouco se demoraram comentando a ideia, pois logo o professor-doutor adentrou a sala e após um exame ao grupo com um olhar curioso, fez a chamada e a aula teve início.

“Por que há crianças/pessoas que não querem aprender”?
“É preciso saber por que não o querem e descobrir a forma de motivá-las. E uma vez descoberta a forma de motivá-las, de interessarem-se por um tema/assunto, ver a maneira de trabalhar com elas de forma que compreenda o assunto”
“O professor é quem põe e suprime a distância. O segredo do professor é saber e conhecer a distância entre o objeto de estudo e o sujeito aprendiz”. (Prof. Dr. Luís María Etcheverry, em sala de aula na USAL, para alunos do mestrado Turma 02 da NOVVUS, Buenos Aires – Argentina, em 26 de junho de 2012).

Nova parada para analisar os sentimentos induzidos por essas palavras: O professor fez isso com o grupo ao apresentar a lista de experiências propostas para conhecer. Mais ainda, quando deu a orientação do que deveria ser observado com relação aos sentimentos, às sensações, aos conceitos que se formariam, etc. Nesse momento um sentimento de admiração pelo professor e mais uma vez a lembrança do projeto de conhecer o prato de estranho nome aflorou à mente.

Por um momento quase que não foram escutadas as palavras do professor. Mas ele já estava falando de conceitos e não simplesmente dando uma explicação, mas induzindo o grupo a pensar sobre conceitos ao fazer os seguintes questionamentos: “Conceito Arbitrário?, Conceito Inconsistente?, Conceito Inviável”?

Nossa, que susto ao dar-se conta que há tantas possibilidades para conceito... E novo pensamento: Qual seria o conceito de Puchero? Como descobrir a história? Naquela noite o grupo iria comer um prato, cujo nome parecia engraçado, mas nada mais se bia sobre ele. Qual sua origem? Por que este nome?
Uma nova consciência: Era preciso saber a história do prato. Fato constatado e ampliado com o que o Professor-Doutor Etcheverry dizia naquele momento: “Os animais não trabalham com conceitos. Trabalham vivenciando a realidade”.
Sim, iria ser feita uma vivência da realidade naquela noite com o experimento do prato Puchero, mas havia a necessidade aflorada naquele momento de saber a história daquele prato. Onde consegui-la? Talvez a forma mais rápida seria a internet. Sim a internet... Quem sabe?

A aula continuava abordando o Mundo Ideal (MI) e Mundo Sensível (MS). MI ligado às representações e MS Ligado às apresentações.  E a dialética entre esses dois mundos faz com que o Mundo Sensível (MS) se eleve até o Mundo das Ideias (MI).




E o pensamento do experimento a ser feito se misturava ao que iria ser feito à noite e ao que deveria ser observado durante o experimento.

4.                 O Experimento e Novas descobertas

Ao término da aula e de volta ao hotel os estudantes correm a cuidar de estarem pontos para a saída às sete horas da noite, como foi acordado durante a manhã. O restaurante escolhido foi o indicado pelas colegas da cidade de Amargosa no estado da Bahia – Brasil: Restaurante “El Globo”.
No momento do encontro outros se juntam ao grupo e partem para fazer o experimento. Nesse momento o grupo se multiplica por dois e membros de duas equipes partem juntos para o experimento. São eles: Adriana Moreira, Cristina Ferraz, Delma Nascimento, Jeane Freitas, Miguel Santana, Regina de Macedo.
Seis pessoas não cabem em um carro pequeno e por esse motivo todos saem juntos, mas em carros separados. Durante o trajeto os membros do grupo formado por Cristina, Regina e Adriana conversam com o motorista do táxi sobre o prato que vão experimentar e aí se consegue novas informações sobre o mesmo ou seja: O prato Puchero.
Segundo o motorista do Táxi, esse prato teve sua origem  na Espanha em meio à classe popular e foi criado em época de escassez utilizando uma combinação de carnes bovinas de segunda categoria e carne de porco e frango, combinados com legumes, grãos e verduras. Além de ser um prato barato e que alimentava muitas pessoas ele podia durar vários dias. Segundo ele o prato é feito em uma panela grande e posto  na “cocina de leña”.
Uma parada para pensar no que seria “Cocina de Leña”. A imaginação fez com que fosse visualizada uma cozinha feita de toros de madeira e nesse momento foi solto um suspiro sonhador de quem de repente voou até o século 16 quando as casas eram feitas assim. Adriana, única nesse grupo a dominar o castellano nos informou que o motorista se referia ao que no Brasil é conhecido como fogão a lenha. O sonho pareceu explodir no ar como uma bola de sabão.
O pensamento voa para a aula do dia 25 de junho ao lembrar o texto “Método Zen de Estudio a partir de Shunryu Suzuki”[1].

“A naturalidade consiste em algo assim como se sentir independente de tudo, ou em certa atividade baseada em nada”.
“É semelhante a uma semente que não tem ideia de ser certa planta em particular, porém tem sua própria forma e está em perfeita harmonia com o solo, com o ambiente”.

Ao chegarmos ao restaurante indicado/sugerido e marcado, o mesmo encontrava-se fechado. O grupo deu muitas risadas, tirou fotos do local tentando registrar a sua intenção e esforço em realizar o trabalho.
O restaurante estava fechado... Aqui uma parada para analisar os sentimentos, a sensação causada pelo restaurante fechado: Um misto de surpresa, tristeza e decepção invade a mente e o corpo.
— Não é possível, gente! Como está fechado? Será que só abre aos finais de semana? — Foram os questionamentos partidos de todos. A rua com pouco movimento, o grupo curioso aproximava o nariz do vidro do restaurante sem acreditar que ele não fosse abrir.


As palavras no vidro chamava atenção e alguém pensou em tirar uma fotografia para ilustrar o primeiro informe grupal que seria apresentado ao Professor-Doutor no último dia de seminário, ou seja, na parte da tarde do dia 27 de janeiro de 2012. Jeane Freitas foi a fotógrafa.


Estando próxima ao passeio defronte ao local onde o grupo estava, Jeane localizou uma cafeteria e propôs que o grupo fosse até lá, pois estava muito frio.
Ao lado do restaurante El Globo vimos uma placa da Federação Argentina de Empregadores de Comércio e Serviços. O grupo foi até lá, pois o item quatro da “lista de experiências propostas para conhecer” era justamente “conseguir um trabalho”. Ainda estava aberta; uma jovem atendeu a todos com cortesia. Foi-lhe solicitado informações sobre como conseguir emprego. A jovem deu a orientação de procurar um outro local a oito quadras dali, o Hotel Continental; pois no local referido não havia vagas.
Após recebida as informações na Federação Argentina de Empregadores o grupo se dividiu e saíram em alguns momentos em dupla, em outros trio e até aconteceu de um membro estar sozinho e chamar o outro para observar algo avistado através da vitrine das casas comerciais existentes no entorno do restaurante escolhido. Impossível nesse momento recordar como aconteceu a descoberta do restaurante que o grupo encontrou para fazer uma nova experiência saboreando outro prato que também constava na lista de experiências, mas o fato foi que, num atravessar de rua, em uma esquina entre a rua Tucuman e San Martin, foi avistado na vitrine o prato Locro pela colega Delma.
 Um olhar mais atento para o restaurante foi observado que estava com as luzes acesas e havia pessoas trabalhando na arrumação das mesas. Uma nova sensação foi percebida: havia naquele instante a esperança da saída para o planejado jantar com a realização de uma experiência não ser em vão. Descortinava-se a possibilidade de experimentar um outro componentes da lista, o LOCRO.

Uma inquietação invadiu o ser e nesse instante Miguel bateu à porta do restaurante. Os trabalhadores faziam gestos e Miguel insistia em chama-los com gestos e um sorriso nos lábios a repetir “sí, sí...”
A insistência de Miguel foi tamanha que um dos trabalhadores do restaurante, um garçom,  depois de trocar algumas palavras com outro trabalhador que estava próximo ao balcão caminhou até a porta. Ao abrir a porta e falar ao grupo, percebeu que se tratava de estrangeiros. Adriana se aproximou para explicar o que o grupo queria e perguntou sobre o prato Locro. Aqui uma nova parada para analisar sentimentos e experiência: O grupo se preparou para experimentar o Puchero, mas agora surgiu a oportunidade de experimentar o Locro. Que se passa? Se passa a mudança de planos e rapidamente o preparar-se para outra pesquisa e outra experiência.
Todos atentos, o coração a bater acelerado... . O garçom nos explicou que é uma comida de originária dos Andes, consumida em períodos de frio por ser muito substanciosa e calórica. Composta de milho branco, feijão branco, toucinho, chouriço, carnes de segunda de porco e boi. Resolvemos experimentá-la. Perguntamos ao garçom sobre essa possibilidade. Ele nos disse que o restaurante ainda não estava aberto. Miguel perguntou se não era possível deixar o grupo entrar, pois estava muito frio e o fato do grupo ter vindo de uma parte do Brasil onde o grau mais baixo de temperatura era de 22, estavam todos estranhando muito a temperatura. O trabalhador trocou mais algumas palavras com o outro e concordou em deixar o grupo adentrar ao recinto.
Sentados à mesa fotos foram tiradas para o registro, afinal fotografias são documentos. Para que todos aparecessem na fotografia Miguel solicitou ao garçom que batesse a fotografia e esse, gentilmente atendeu ao pedido. A fotografia ficou ótima.



Tratava-se do restaurante “La Posada 1820” situado na “Rua Tucunán 501 (esquina San Martin) ciudad de Buenos Aires”. Um local muito agradável com uma decoração pitoresca onde era possível ver em exposição muitos utensílios antigos que davam aos clientes a sensação de uma viagem no tempo: malas antigas, panelas antigas, bandejas, máquina de costura e bandeiras de outros países, e uma delas era a bandeira do Brasil. Quanta emoção atingiu o coração! Impossível não tirar uma fotografia e de repente uma parada para analisar sentimentos.



A visão da bandeira e o sentimento de alegria e saudade se misturando na mente.
A aula mais uma vez volta a se mistura aos pensamentos: Mundo dos Sentimentos (MS) dialogando com o Mundo Ideal (MI) fazendo emergir a imagem da pátria e a saudade dos familiares que estão distantes e que também fazem o sacrifício da distância, da despesa para que haja a progressão profissional do mestrando.
Um silenciar rápido invadiu a mesa; a chegada do vinho à mesa motivou o brinde aos familiares distantes e ao sucesso no trabalho proposto.
A ida ao restaurante serviu para aproximar mais ainda os colegas e muitos assuntos surgiram sobre suas famílias e sobre os trabalhos que fazem no Brasil. Serviu também para atrair atenção de argentinos que compareceram ao local depois e também aconteceu um enamorar entre o garçom e um dos membros do grupo. Foi a oportunidade de vivenciar outra das experiências solicitadas: “Um Enamoramiento”.
Não um “enamoramiento” entre um homem e uma mulher, mas um flerte homossexual. Esse acontecimento fez refletir o quanto ainda, os brasileiros estão vestidos de uma cultura preconceituosa; ainda é difícil aceitar outra cultura ou outra forma de ser/agir. A própria pessoa que foi paquerada, sendo segura das sua posição e escolha, se constrangeu com o ato acontecido em público. Comentou com as colegas que no Brasil os homossexuais ainda não têm essa abertura de comportamento.

Os pratos foram servidos. A comida saboreada com cuidado. O sabor parecido com o da dobradinha brasileira só que mais suave.




A conta foi pedida, a despesa repartida entre os colegas, agora mais amigos. O grupo retornou ao hotel.
      
2.      Conclusão da Experiência

Chegando ao hotel os amigos se dirigiram para o salão de alimentação e bebericando um pouco de vinho novos questionamentos: O que trouxe ao grupo essas experiências? Quais estruturas foram mexidas?
Que tipo de conhecimento acerca dos pontos levantados foi construído?
Foi possível perceber que houve uma mudança no comportamento de todos enquanto agentes e observadores.
Coisas que se pensava conhecer se teve a oportunidade de vivenciar com outra óptica, agregando outro sentido. Coisas que não eram conhecidas foi oportunizado experimentar ou conhecer através dos registros históricos e outras foi possível pesquisar e debater.
O trabalho apresentado na aula do Professor-Doutor Luís María Etcheverry foi concluído com a citação de Heidegger que diz que “[...] fazer uma experiência com algo significa que algo nos passa, nos alcança; que se apodera de nós, que nos tomba, e nos transforma”. 

Ainda fez-nos compreender o pensamento desse mesmo autor quando ele diz que viver uma experiência é andar e desandar os caminhos para retornar ao lugar onde já nos encontrávamos.

Regina Maria Oliveira de Macedo.




























[1] Texto contido no módulo disponibilizado pelo Prof. Dr. Luís Ma. Etcheverry com referência a SUZUKI, Shunryu, Mente Zen, mente de principiante, Estaciones, Bs. As., 1994.


[1] Página da Internet Na Biroskinha. Endereço: http://www.nabiroskinha.com/2009/10/puchero-e-um-tipo-de-ensopado-preparado.html